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Em Ribeirão Preto, o Ministério Público denunciou o médico Luiz Antonio Garnica e sua mãe, Elizabete Arrabaça, pelo feminicídio da professora de pilates Larissa Rodrigues. A vítima foi envenenada progressivamente com doses diárias de veneno. O objetivo era simular uma morte decorrente de complicações de intoxicação crônica.
A tragédia ocorreu em março de 2025. Larissa manifestou intenção de separar-se do marido dias antes de morrer. Isso teria acelerado o plano criminoso. A sogra e o médico pretendiam evitar a partilha de bens do casal.
O promotor do caso, Marcus Túlio Nicolino, explicou:
“A Larissa foi envenenada ao longo de 10 a 15 dias com doses menores. Mas na sexta-feira fatal, ela manifestou desejo de procurar um advogado na segunda-feira seguinte. Isso motivou Elizabete a administrar uma dose mais forte, causando a morte na madrugada.”
Detalhes do crime
Garnica e Arrabaça agiram de forma premeditada. O médico chegou a buscar sopa envenenada preparada pela mãe para oferecê-la à esposa. Em duas ocasiões, medicou Larissa com substâncias tóxicas fornecidas por Elizabete.
A vítima começou a manifestar sintomas como:
- Náuseas constantes
- Vômitos frequentes
- Diarreia severa
Em um desses episódios, Larissa pediu para ser levada ao hospital. Garnica recusou e chamou a mãe, que trouxe mais “remédios” envenenados. A vítima chegou a confessar sentir que morreria durante a agonia.
Descoberta da traição
Dias antes da morte, Larissa descobriu o relacionamento extraconjugal do marido. Ela enviou uma mensagem mencionando que procuraria um advogado para iniciar o divórcio. Na mesma noite, Garnica contactou a mãe, que passou quatro horas no apartamento da nora.
Motivações
O crime foi impulsionado por razões financeiras e pessoais. Garnica enfrentava problemas econômicos e não queria dividir patrimônio, especialmente um apartamento financiado pelo casal. Também desejava viver livremente o romance com a amante.
Elizabete opunha-se fortemente à ideia de partilha de bens. Testemunhas relataram que ela considerava injusta a divisão do apartamento. Além disso, enfrentava suas próprias dificuldades financeiras.
Comportamento após o crime
Poucos dias depois da morte de Larissa, Garnica levou a amante para morar no apartamento do casal. Menos de um mês após o feminicídio, apresentou-a formalmente à mãe em um almoço. Essas ações evidenciaram desinteresse pela memória da vítima.
Investigação e denúncia
A denúncia formal foi apresentada em 1º de julho de 2025. A Justiça aceitou as acusações no dia 3 de julho. Com isso, Garnica e Arrabaça tornaram-se réus e tiveram prisão temporária convertida em preventiva.
O Ministério Público acusa ambos por feminicídio com três qualificadoras:
- Uso de veneno
- Motivo torpe
- Crueldade mediante simulação
Garnica também foi denunciado por fraude processual. Ele teria alterado a cena do crime no dia em que Larissa foi encontrada morta.
Evidências digitais
O histórico de buscas online de Elizabete revelou pesquisas por:
- “Formas de intoxicação”
- “Veneno chumbinho e seus efeitos”
- “Intoxicação por organofosforados e carbamatos”
Essas buscas ocorreram em fevereiro e março de 2025. Demonstram estudo prévio sobre substâncias tóxicas. Garnica pesquisou compatibilidade amorosa entre signos (leão e aquário) referentes a ele e à amante.
Conclusão
O caso expõe um crime planejado meticulosamente em Ribeirão Preto. A confiança que Larissa depositava na sogra foi explorada para o mal. Elizabete apresentava-se como cuidadora enquanto ministrava veneno.
O Ministério Público destacou a frieza dos acusados. O desvio de caráter foi classificado como “reprovável e monstruoso”. A Justiça local segue apurando detalhes para garantir condenação adequada.
Acompanhe atualizações sobre o caso e outros acontecimentos em Ribeirão Preto através do canal oficial do g1.
Fontes e Referências
Fonte: G1, 3 de julho de 2025, disponível em www.g1.globo.com.
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